22 novembro 2011

AH, O AMOR...

Coisas de um livro que minha amiga Michele estava lendo...

"A criação de uma relação mútua que seja boa e duradoura", em total oposição à busca do prazer por meio de objetos de consumo, "exige um esforço enorme".

Mas o amor, sugere Klima, deve ser comparado à criação de uma obra de arte... Isso também requer imaginação, concentração total, a combinação de todos os aspectos da personalidade humana, auto-sacrifício da parte do artista e liberdade absoluta. Mas acima de tudo, como ocorre com a criação artística, o amor exige ação, ou seja, atividade e comportamento não-rotineiros, assim como atenção constante à natureza intrínseca do parceiro, um esforço para compreender sua individualidade, além de respeito. E por último, mas não menos importante, precisa de tolerância, da consciência de que não se deve impor ao companheiro suas perspectivas ou ideais nem ser um obstáculo à felicidade do outro.

O amor, devemos concluir, se abstém de prometer um caminho fácil para a felicidade e o sentido. O "relacionamento puro" inspirado pelas práticas consumistas promete esse tipo de vida fácil, mas, pela mesma razão, torna a felicidade e o sentido reféns do destino.

Para resumir: o amor não é algo que se possa encontrar; não é um objet trouvé nem um "ready-made". É algo que precisa ser sempre e novamente construído e reformado a cada dia, a cada hora; constantemente ressuscitado, reafirmado, servido e cuidado.

Em conformidade com a crescente fragilidade dos vínculos humanos, a impopularidade dos compromissos de longo prazo, a tendência a se despojar os "deveres" dos "direitos" e evitar quaisquer obrigações a não ser as "obrigações a si mesmo" ("devo isso a mim", "mereço isso" etc.), o amor tende a ser visto ou como perfeito desde o início ou como fracassado - a ser abandonado e substituído por um espécime "novo e aperfeiçoado", ao que se espera genuinamente perfeito. Não se espera que esse amor sobreviva à menor discussão, que dirá à primeira discordância e confronto sérios...”

Para a vida prática: o dia-a-dia não é fácil. É muito trabalho, muitos compromissos, muitas tarefas, muito tudo, muito pouco tempo. Mas no momento em que tudo pára e somos só nós dois no mundo, tenho a certeza absoluta de que tudo vale muito a pena.

Nenhum comentário: